Cheguei, correndo, na casa e você não estava
era o momento que eu mais precisava
meus olhos já iam derramando…
te procurei. sabia que estaria lá assoviando…
enfim, errei.
te procurei, chamei,
tentei, corri, mas não achei.
sentei no balanço e fiquei esperando…, pensando,
balançando e me acalmando
olhos, então, fecham para o vento,
e meu corpo descansa em um momento.
tremendo até os dedos,
não era de frio, mas de medo,
vento no rosto é sempre bom, No dia-a-dia não o notamos, mas ele sempre está ali. Em horas difíceis, somente ele é perceptível.(talvez porque nessas horas “fecha-se os olhos para ver mais claro”, e então eu o sinto). Vento será sempre vento. Em meus olhos, o vento é a mãe natureza que acalma, que ouve o desabafo calado, e responde pacificamente com sopros onde quer que esteja visível aos seus olhos. Para quem o sente, ela até nos deixa palavras de conforto em forma de zumbidos altos, como que tentando mudar para a língua humana. Para nós, seres surdos à mãe terra, se escuta somente um zumbido, às vezes, agudo, percebe-se que ela também chora.
flashs me esclarecem a mente
tudo muito de repente,
doença, hospital e choros calados,
estávamos todos atados
tendo só que esperar,
com essa injusta injustiça no ar,
“como que pessoas sadias não podem agir?”
“teríamos que mentir/fingir?”
nao me controlo, e choro,
percebi que não o veria mais,
e me pergunto: “até que ponto eramos iguais?”
me recordo que, ainda no hospital, me olhou e perguntou sobre cavalos
respondi que nunca tinha andado..
desviou o olhar, como um “puts.., pq não tinha falado?”
perdi meu Norte.
meu coração batia muito forte
peito molhada/cansado.
nao poderia estar, aqui, agora, ao meu lado?
tudo mudou,
pararam o balanço, tiraram seus quadros, mudaram sua casa,
levei anos para entender que quando o fazem querem dizer “que tudo passa”,
prefiro pensar que estou surdo ao seu assovio como o balanço trancado
um dia, vou ouvi-lo, aqui ao meu lado
já era de manhã
eu já não tinha os mesmos olhos, e nem a mesma face
não quero morrer com mais ninguém,
pois morri com o senhor,
é tão difícil e doloroso ter de renascer com essa dor.
22/06/2010 às 12:22 |
Lindo post Tobias, parabéns. Triste, sincero, singelo e cheio de esperança e confiança na força natural da vida. Emocionante.
23/06/2010 às 3:02 |
valeu mesmo, esse texto foi o que eu mais demorei para postar,
elogios de quem sabe escrever são sempre beem vindos.
valeu mesmo..
28/06/2010 às 22:14 |
Simplesmente emocionante!!!Muito LIndooo….. Tb sinto falta….mta saudade né!!!!Bjss te amuhhh
29/06/2010 às 2:41 |
muito obrigado, senhorita minha irmã…
…
tbm te amu isolde…
18/08/2010 às 21:20 |
Isso Tobias….
Bom.
Te mantém na linha do trem…. Não descarrilha.
Att.
19/08/2010 às 2:47 |
com certeza, sem descarrilhamentos, hehe..
abraçãoo,
valeu
28/03/2011 às 10:40 |
Fortes e sensíveis palavras! Entrei no hospital e vivi um pouco!
31/03/2011 às 2:19 |
nao sei como foi para você essa experiência de ler o texto agora, mas para mim ao escrever foi um grande desabafo