Nenhuma pergunta foi feita por ter olhos vermelhos. Apenas pensaram ser suspeitos, chegaram, olharam nos olhos e já começou o griteiro.
“Mãos na parede seu maconheiro!!!”
“Mas senhor, eu estou com conjunti…” e PLAFT, uma porrada nas costelas, “Cala a boa seu maconheiro de merda”, nem precisaria mandar calar a boca, já que de sua boca, nem se quisesse, não sairia nem mais uma palavra.
Olhando para o outro garoto, que pouco importaria o que falasse ou fizesse, já estava vestido como maconheiro, “Olha pra mim!!”. O garoto estava apavorado e indignado pela injustiça covarde, somente a inocência o tranquilizava. Olhos normais, cheiro bom e PLAFT, “Este aqui é espertinho, já colocou até colírio. Cadê?”, procurando ao redor dos garotos que estavam meio encurvados pelas pancadas, “Já jogaram fora, né?”, “Não senhor, ninguém aqui…” PLAF, mais uma na outra costela, “CALA a boca, seu maconheiro mentiroso!”
Já conhecendo a rotina de sempre e sabendo que não iria dar em nada, batem mais um pouco, berram, xingam, ameaçam, e vão embora.
A culpa é de quem?Alguém tem culpa? Garoto?
O garoto, há 4 anos limpo, não mais usuário de drogas, que recuperado de um longo tratamento começa a ter uma vida normal, agora com faculdade, namorada e família unida. Acorda com conjuntivite e depois de um dia de muita dor, foi convencido por seu irmão para dar umas voltas naquela noite, já que sem luz, seus olhos não doiam tanto. Agora, além de seus olhos, suas costelas também doiam. Seria a pessoa errada no lugar errado?
Policial?
E o policial, com uma estressante rotina de todos os dias ter de achar os drogaditos da cidade. Depois de alguns anos de trabalho já sabe que não existem exceções, “quem se parece com drogado, é drogado. E se um dia foi, sempre será. Do que adianta perguntar?Eles sempre mentem.”, pensa o policial.
O que VOCÊ, querido leitor, pensa? De quem é a culpa? A culpa está do lado de uma rotina estressante? De um passado injusto? De um pré-conceito? De uma injustiça covarde?
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(Acreditem ou não, após sair do banho, tendo idéias para um possível texto, pego uma folha qualquer das que estão bagunçadas em cima da mesa, e começo a escrever rapidamente, frases bonitas estavam na minha cabeça, e eram muitas. Depois de escrito o texto, fui ler o que já estava escrito na folha, dizia assim:
“Como podemos julgar alguém, se nunca trocamos uma palavra com ela? Somente vendo ou ouvindo, já tiramos conclusões que sempre serão erradas. Pré-conceitos, filtros, limitações e o passado, são fatores que nos confundem para a visão justa”.
Como escrevi sobre um assunto muito semelhante, em uma folha perdida (acho que tinha escrito isso nas férias, em fevereiro). E peguei ela rapidão, só procurei se tinha espaço para escrever. Coincidencias, é a solução idiota para as perguntas. Sempre perguntas e mais perguntas, respostas que é bom, NADA).
Repito,
O que VOCÊ, querido leitor, pensa? De quem é a culpa? A culpa está do lado de uma rotina estressante? De um passado injusto? De um pré-conceito? De uma injustiça covarde?